quarta-feira, 12 de março de 2014

Vampiros astrais - por: Jorge Antonio Oro


Vampiros astrais - 4 de março de 2014 às 00:36

A descrença e o desconhecimento de si mesmo, faz com que o ser humano seja facilmente manipulável, passando a admirar ídolos de fumaça,intencionalmente engendrados.

A construção/manutenção/necessidade de celebridades e deídolos  é um atributo da ignorânciahumana.
A opressão depende de uma força no sentido de deprimir, edeve ser exercida contínuamente. Quanto maior o tempo desta força, maior tendea ser a força contrária, razão da queda de todos os grandes impérios que seconstruíram na mentira, no militarismo e na dominação.

Já a manipulação, dá a falsa impressão ao manipulado, queele age por sua própria vontade, sendo muito pior do ponto de vistaevolucional.

Ninguém jamais pode ser oprimido mentalmente, mesmo quefisicamente o esteja. Já a manipulação detém em si, uma anuência, pois só émanipulado quem deseja e quem se deixa manipular.

Celebridade, do latim celébrita, celébritatis, deriva-se de  Céleber, Célebris, Célebre (do grego kélio,significando calcar, pisar) e refere-se ao lugar que é frequentemente pisado,exibido  e frequentado.

Calcar, pisar, do latim Cálco..Calcáre, vem da raiz Calx,Cálcis, que significa calcanhar.

Fama (do latim fáma, fámae), deriva da raiz For, Fáris,Fátum, Sum, Fári, que significa dizer, falar.

Falar é manifestar o pensamento pela palavra. Emanifestar-se é deixar-se ver(do grego Phemí, tornar-se visível).  Phemi, também é a origem de Photós, luz.

Então, aquilo que é exibido na luz(holofote), que é falado otempo todo, adquire o que se chama FAMA, e após ser muito visto (quer dizer,muitas pessoas percorrerem astralmente o caminho até ele) se transforma em umaCELEBRIDADE.

Mas ninguém(nem nada) em sí mesmo pode ser uma celebridade,pois uma celebridade só existe para os outros, e em função dos outros.

Assim, quanto mais seguida(pelos fans)  é a celebridade, quanto maior a fama, quantomaior a (falsa) luminosidade, quanto mais as pessoas (induzidas, óbvio)percorrem os caminho que levam às celebridades, mais o caminho é pisado,consolidando e aumentando a potência astral da celebridade.

Mas como a celebridade em si não existe,   ocaminho para ela (e portanto o seu poder), é construído, mantido e alimentado,por aqueles que ouvem, veem e vão (astralmente ) até elas. Os seguidores, osadmiradores de celebridades então, além de serem o próprio caminho, a própriavida das celebridades, são continuamente pisados, atropelados e sugadosvitalmente pelas mesmas, sem se darem conta.

Esta então é a horrorosa mecânica da fabricação decelebridades e ídolos: falar constantemente sobre alguém , exibi-laconstantemente na mídia, fazendo com que as pessoas, aos poucos, percorram oscaminhos (quer dizer, olhem para e sejam olhados de volta), contribuindo umestado de dependência, transformando a celebridade/ídolo em um centro originadorde felicidade ou satisfação..

Aos poucos a celebridade, olhada por muitos, passa a exibirnão o seu brilho (aliás, algo que raramente as celebridades tem de real), mas osomatório dos brilhos rubros (dos desejos projetados) daqueles que as seguem.

Quanto mais isto acontece, quanto mais seguidores/fans/admiradores,quanto mais exposta é aquela celebridade, mais poderoso é o ente astral que elase torna, alimentando-se daqueles que para ela olham, como uma Medusa.

E qual a utilidade da criação artificial de celebridades:

a)Estas celebridades são a mola da sociedade atualonde as pessoas esquecem-se de si mesmas, e adoram deuses astrais fabricados;
b) Estas celebridades são o somatório dos desejos,aspirações e projeções transformadas pela mídia em seres humanos perfeitos,belos, felizes, sábios, bons, ricos e plenos. Quase seres semidivinos, aosquais são atribuídos títulos como rei, imperador, rainha, princesa, deus, etc;
c)  Alçados a categoria de semideuses, passam a serpadrão para os que os seguem, e então começa o mecanismo subliminar demanipulação das vontades(na verdade, desejos): a pessoa não pode ser igual acelebridade, mas a celebridade usa uma roupa de determinada marca. Então, apessoa, no intuito de ser semelhante  ede aproximar-se da celebridade, passa a usar a mesma marca.

Por exemplo, uma mulher célebre, símbolo de erotização,astralmente é o somatório de todos os desejos e fantasias daqueles que por elase sentem atraídos, e dos anseios e desejos de todas aquelas que desejariam ser como ela. O resultado: todos que a ela se conectam tem misturados seus desejos,expectativas e amores, resultando em um atraso inimaginável do ponto de vista evolucional.

 Esta é a razão de a sociedade atual ter se transformado em uma constante fábrica de celebridades e ídolos descartáveis, manipulando a vida, expectativas, desejos e conceitos de quase todas as pessoas.

Dentro da máquina de fabricar celebridades e ídolos, quandoum não se presta mais a função, apagam-se os holofotes, apagam-se os caminhos,diminui a vitalidade recebida, e o resultado é um ser humano descartado nassarjetas, contemplando horrorizado a sua própria imagem do nada, uma vez queaqueles(seres astrais) que nele vivem, já não tem mais como se alimentar.

Calx! Quanto mais a adoração ou a paixão por umacelebridade, mais a pessoa estará sob o calcanhar das forças artificiais queconduziram aquela celebridade!

 Mas, se esta cruel estratégiafosse utilizada apenas para induzir os costumes e induzir o consumo,  o maléfico resultado não seria tãoabrangente.

Acontece que, embutido na mecânica da construção de ídolos ecelebridades, está um efeito quase imperceptível: as pessoas esqueceram-se decomo é viver olhando para si mesmas  epassam a viver olhando para falsos seres. Isto deve-se principalmente ao fatode que as celebridades e ídolos são construídos como se não errassem, como senão tivessem imperfeições, medos, e como se a vida para eles fosse perfeita, doponto de vista material, óbvio.

E como quando a pessoa( nos raros momentos em que olha parasi mesma), vê dificuldades, vê erros, vê “só” um ser humano, passa a nãodesejar mais olhar para a realidade que lhe cabe construir e aperfeiçoar (a simesma) e passa a viver uma “realidade irreal”.

Sobre estes padrões de manipulação astral da massa humana,construi-se a indústria do consumo, a indústria do entretenimento, a indústriada engenharia social, a indústria da futilidade, da moda, da dominação, dosmedos, da ignorância, da erotização, da dependência, a indústria do baixoastral, ou o mundo do baixo astral.  
  
Se olharmos na mídia, há uma profusão de seres perfeitos,belos, rápidos, inteligentes, ricos, felizes, saudáveis, eternos, etc, etc,fazendo com que aqueles que os seguem, aceitem como verdade, a mentira de que eles,são seres melhores e superiores, e que merecem ser seguidos.

Neste ponto, entra a sedução (do latim sedúctio,seductiónis) que é o ato de conduzir em separado, da raiz Dúco... Dúcere. Querdizer, o fan, o seguidor, o admirador é induzido (in dúcere), iludido,enganado, é levado, conduzido, para o mundo criado pelo conjunto dosadmiradores/fãs. Este caminho, seguindo um falso ídolo, separa o ser humanosabe de quem? De si mesmo!

Significa o seguinte, a luz que o fã passa a ver no seu diaa dia, não é mais o Sol dentro de si mesmo, mas a luz astral daquele lugar aoqual ele está ligado. Quanto mais intensa a ligação com este lugar, maior é asua perda de identidade, chegando a agir quase como “alma grupo”,  vestindo-se igual, agindo igual, consumindoigual, procurando seus pares, suas comunidades, etc, etc. Cada vez maisafundando no astral, abrindo mão de viver sua própria vida, repasto ignorantede vampiros astrais.

Manipulação!!! Pior que a opressão, pois neste caso, amanipulação está dispersa de tal forma no astral da pessoa, que os desejoscomuns transformaram-se em hábito, e a sensação de prazer de todos passa a serconfundida com a sensação de felicidade da própria pessoa.

Perdido em um mundo (baixo)astral de falsos sóis, esvaem-seas forças dos seres humanos, esquecendo-se que a verdadeira fama (de for,fares, fato, sum) é mostrar-se não aos outros, mas a si mesmo.

Pháino (do grego): eu brilho! Eu me mostro! Eu apareço!Phemí! Eu me torno visível! E o Eu neste caso, é o espírito mostrando-se aalma, de cada um e em cada um.

Nosso olhar não deve ser dirigido para baixo ou para fora, mas sim, para o alto (ou se preferirem, para dentro de si mesmo).
O que eu vejo é onde eu estou!
O que eu vejo, é o que em mim está!
O que eu vejo, é o que eu sou!

Isto, pelo simples fato de que ver significa estabelecer umcaminho até a coisa vista, para que o reflexo dela se faça na mente concreta, afim de ser analisada e sentida.

Sabem pq a maior parte das pessoas não tem riqueza,felicidade, saúde, plenitude? Pq elas desejam ser ricos, felizes, saudáveis  e plenas como seus ídolos!

E como os ídolos/celebridades na verdade não possuem nada dereal ou verdadeiro, são vazios, as pessoas sem o saberem recebem o que os seusídolos tem. Como não há nada para repartir, repartem os fãs, entre si, suaspróprias dores, desejos e expectativas.

Por isto o adágio popular: cuidado com o que vc deseja, poispode se realizar!

Daí vem a necessária pergunta que cada um deve fazer a si mesmo:  Afinal, isto é viver??? Foi para isto que esta existência foi engendrada?

Como diz Henrique José de Souza: “Viver não é nada. Saber viver é que é tudo”.   

Temos dois mundos a transformar: o de cada um de nós e o de todos. Vamos em frente!

Fraterno abraço, fiquem bem, fiquem em paz.

Jorge Antonio Oro

Um comentário:

  1. Pô, escrevi uns "trens" e não saquei se fluiu ou não, por isso escreverei de novo.

    Gostei pacas do post. - Faz dias que queria reler, copiar, compartilhar e agradecer.
    Vou reler com mais calma e, se me permite, dar "uns pitacos", o.k!
    Obrigado. Muita Paz!

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