sexta-feira, 6 de julho de 2012

O Eu Interno







Por: Ernani Eustáquio de Oliveira


O Eu Interno


Quem sou eu? Esta é uma pergunta que, às vezes, nos assalta, quando resolvemos especular filosoficamente, sobre nossa identidade. Na realidade, nós nos envolvemos tanto nesta vida de interação com o mundo material, que nos cerca, que a nossa mente pouco se dá ao luxo de realizar alguns vôos no campo transcendental.


Habitualmente, envoltos na cadeia de causas e efeitos, que caracteriza o mundo material e vendo frequentemente nossa imagem corporal, refletida num espelho, temos a tendência de imaginar esse corpo como nós mesmos. É como se moldássemos a convicção: “Eu-corpo”. Nossa própria linguagem reforça isso: “esta é a minha mão”! Estou identificando a mão como parte do meu corpo e simultaneamente como parte minha.


Se nos fizermos, entretanto, a pergunta: “Serei eu o meu corpo?”, perceberemos que instintivamente algo, em nossa razão, repele esta idéia, por que isto ocorre? É porque essa resposta instintiva vem do âmago do nosso ser, lá, do fundo, onde jaz o nosso Verdadeiro Eu, o nosso Eu Interno.   


A arte de “tocar a vida” nos requisita tanto, que parte do nosso ser acaba se identificando com essa superfície de troca com o mundo exterior, formando, ao longo do tempo, uma outra espécie de Eu, o Eu exterior. À medida que essa idéia se fortalece, esse “Eu artificial” vai tomando corpo e ocupando o espaço em nossa percepção e reduzindo, cada vez mais, a expressão da nossa verdadeira identidade: o Eu Interno. O Eu exterior acaba tornando-se o ditador de nossa vida, subjugando-a e sufocando a nossa verdadeira identidade. Assim o nosso ser verdadeiro que grita: “ei, Eu estou aqui”, acaba tendo sua voz sufocada pelo barulho ensurdecedor do mundo, ao qual nos habituamos radicalmente a dar atenção ao longo de nossa vida.


A Bíblia diz, em seu Salmo 82: “vós sois Deuses”, e Paulo também afirma, falando de si mesmo, em carta aos Gálatas, 2, 20: “Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Nada mais expressivo, para dizer desse Eu Interno, que é como o filão de ouro, coberto pelo cascalho duro e impenetrável de nosso “culto ao mundo externo”, cascalho esse, que nós mesmos viemos insistentemente, ao longo dos anos de nossa vida, empilhando sobre nossa luz interna. E, quando você coloca uma luz debaixo de um “alqueire” ou um móvel, o seu brilho não chega à superfície... 


Portanto, tenhamos em conta que cada um de nós guarda, dentro de si, lá, no fundo, um tesouro valiosíssimo. Trazê-lo à superfície depende de decisão e vontade de cada um. O desafio é remover e livrar-se da camada de cascalho que foi acumulado, dia a dia, ocultando-o aos nossos olhos. 


FIM


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Com exclusividade para o nosso blog.







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