segunda-feira, 23 de julho de 2012

Entrevista: Ernani Eustáquio de Oliveira


Vamos dar inicio a uma série de "entrevistas", na verdade bate papo, com pessoas que tenham a ver com este blog.

Para estrear este quadro tenho a honra de conversar com o amigo, colaborador deste blog e membro da sociedade teosófica: Ernani Eustaquio de Oliveira.



Apresentação:

Nome: Ernani Eustáquio de Oliveira. 
Nascimento: 12 de outubro de 1948. 
Profissão: Militar da Reserva da Aeronáutica. 
Escolaridade: Superior (Graduação e Pós-Graduação).
Cursos Realizados:
Cursos Militares: Curso de Formação de Oficiais da Academia da Força Aérea, Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais na Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica, Curso de Comando e Estado Maior na Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, Curso de Política e Estratégia Aeroespaciais na Universidade da Força Aérea, Curso de Gerenciamento de Recursos de Defesa na Escola Superior de Guerra.
Cursos Civis: Graduação em Engenharia Mecânica na Universidade Federal do Pará, Curso de Especialização em Análise de Sistemas na Universidade de Brasília, Pós Graduação em Sistemas Estratégicos Militares na Fundação Getúlio Vargas
Religião: Teosofia. É membro da Sociedade Teosófica desde 2006.

1) (SC) O que é Teosofia? É uma religião? Tem alguma relação com o Espiritismo?
Ernani Eustaquio: Bem, conceituar uma idéia é muito difícil, mas vamos lá. Se nos ativermos à etimologia da palavra Teosofia, ela vem do grego Theos, Deus, e Sophia, conhecimento. Assim, seu sentido seria, mais ou menos, Conhecimento Divino. Na realidade, houve uma época da humanidade, simbolizada, no Gênesis da Bíblia, pelo homem no Jardim do Éden, em que o homem “via Deus face a face”. Essa fase da humanidade  caracterizava-se por uma elevada espiritualidade, na qual, Vidyâ (em Sânscrito), o Verdadeiro Conhecimento, fazia parte da natureza do homem. Com o passar do tempo, o homem foi “caindo no domínio da matéria e distanciando-se da espiritualidade”, e, com isso, aquela idéia, antes tão clara, foi se apagando em sua memória. Mas, lá, no fundo, restava uma chama, uma reminiscência de “quem, um dia, “estivera junto ao Pai”, a ele ligado, o que acarretava aquele impulso de “religação”. A palavra “religião” vem do Latim e significa “religar”. Ora, você religa o que já foi ligado antes. Digamos, portanto, que Teosofia é a proposta de resgate desse antiquíssimo conhecimento. A Teosofia pode ser considerada uma Religião-Filosofia. Amonio Saccas, um filósofo neoplatônico e que foi o criador do nome, chamava-a de “a Religião da Sabedoria”. Não, ela não é igual ao Espiritismo, porque desaconselha a prática da mediunidade, o que ela chama de “necromancia”, isto é, ficar invocando os mortos, pois isto é uma prática anti-natural. Além disto, o conceito que ela tem de Espírito é completamente diferente do que ensina o Kardecismo. Espírito e Matéria, segundo ela, são indissociáveis e preenchem o Universo.

2) (SC) Qual é a proposta da Teosofia, que a distingue dos demais movimentos?
Ernani Eustaquio: A proposta Teosófica é, mantendo-se fiel aos três objetivos da Sociedade Teosófica, resgatar essa Sabedoria da Antiguidade (que se perdeu no tempo) e eliminar muitas distorções e superstições que, em função das culturas e do tempo, “desviaram o homem da presença do Pai”.

3) (SC) E quais são os três objetivos da Sociedade Teosófica?
Ernani Eustaquio: Bem, objetivo, como sabemos é sempre um ponto de chegada, um porto para onde nos dirigimos e que serve de farol à nossa orientação. Assim, os três objetivos são: 1º) Formar um núcleo da Fraternidade Universal, da Humanidade sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor; 2º) Encorajar o estudo da Religião comparada, Filosofia e Ciência; 3º) Investigar as leis inexplicadas da Natureza e os poderes latentes do homem. Desta feita, os teósofos esforçam-se por constituir um grupo, um núcleo, onde impere a fraternidade sem distinção de sexo, raça, credo (todos são bem vindos); buscam estudar todas as religiões, filosofias e ciências, por acreditar que todas tiveram origem num tronco-comum e, portanto, há indícios disto em cada uma; dedicam-se também a investigar as leis ocultas da Natureza e dos poderes latentes do homem, por crer que tudo está conectado (o homem não está isolado do seu ambiente, de tudo o que o cerca, mas permanece em interação com tudo). O teósofo acredita que tudo está vivo, a Vida palpita em tudo, a tudo abrange e tudo conecta. 

4) (SC) Como a Teosofia fez a diferença em sua vida?
Ernani Eustaquio: Revelando-me que há um senso de unidade em tudo. As coisas, embora aparentemente separadas, dão a impressão de estar ligadas. Existe, em cada coisa, um ponto de união, e a Teosofia mostra isso. Sempre que eu tender para o egoísmo, focando a atenção em mim mesmo, estarei quebrando esse sentido de unidade. Daí, o verdadeiro sentido do verdadeiro Amor. Está a serviço disso. Por que amar ao próximo? Por que amar à humanidade? Porque eu sou uno com o Todo, e Tudo é uno comigo. Hoje, esta idéia é muito difícil de ser compreendida em sua integridade, mas, quando a consciência humana expandir-se mais, o que é o propósito da Lei da Evolução, ela se tornará mais assimilável. 

5) (SC) Uma pessoa que não participa de nenhum movimento, mas tem uma vida espiritualizada com valores e sentimentos nobres pode ser considerada alinhada com a Religião-Sabedoria?
Ernani Eustaquio: Sim. Estamos todos em diferentes níveis de evolução espiritual, e muitos, empurrados pelo “impulso de voltar à casa do Pai”, buscam “reencontrar o caminho de casa”, cada um à sua maneira e de acordo com a sua raça, meio ambiente e cultura a que pertence. No fundo, fruto de uma longa ou curta caminhada e do esforço próprio, cada um tem a sua visão do caminho, e uns, com certeza, mesmo que não frequentem templos ou igrejas, são capazes de enxergar longe. Já alcançaram, mais do que outros, aquele estágio que, em Sânscrito, se chama “Viveka”, discernimento espiritual. 

6) (SC) Considerações finais: 
Ernani Eustaquio: Todo teósofo sabe que a Natureza não dá saltos, portanto, ninguém se torna santo, da noite, para o dia, no esforço do crescimento espiritual. O verdadeiro teósofo entende a Teosofia não somente como uma filosofia e um estudo, mas como uma proposta de vida prática e sabe, que, ao se esforçar por mudar, para voltar ao caminho da Casa do Pai, toda a sua natureza atual virá à tona. Assim, se um dos seus propósitos kármicos, na vida atual, for trabalhar a tolerância, toda a sua natureza intolerante e impaciente aflorará, para exigir dele um esforço redobrado, para crescer. Se, noutro caso, for trabalhar o apego as coisas, os seus desejos por prestígio, reconhecimento, patrimônio material, destaque social serão intensos, significando que o embate, para vencê-los será terrível, exigindo bem mais dele. Ele sabe, entretanto, que a recompensa será o crescimento do seu Eu Interno, o Deus que existe em cada um de nós, a abertura do baú do tesouro, que jaz, lá, no fundo de cada um, coberto pelos pedregulhos e terra do egoísmo, aguardando ser resgatado.


















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